De Olho Nele: Michel Temer adotou a estratégia possível

Em seu pronunciamento, o presidente tentou desqualificar o empresário Joesley Batista. Também disse haver manipulação na gravação com empresário. Por isso, pedirá ao STF a suspensão do inquérito que é alvo

Presidente Michel Temer

Presidente Michel TemerFoto: José Cruz/ABr

Pela segunda vez em três dias, o presidente Michel Temer se pronunciou nesta sábado (20) sobre as gravações feitas por um dos donos do frigorífico JBS Joesley Batista. Abandonou a defesa e partiu para o ataque. O peemedebista tentou desconstruir o empresário e a gravação feita por ele, além de anunciar que pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão do inquérito que corre contra ele.

Foi a estratégia possível de ser feita diante da avalanche de acusações, mas que pode sair pela culatra diante da falta de respostas a algumas delas.

A principal delas é o fato de dizer que o empresário é um “falastrão”, por isso não acreditou quando ele disse que “comprou” juízes e procurador da República, essa última, inclusive, se confirmou. O procurador Ângelo Goulart Villela foi preso na última quinta-feira (18) pela Polícia Federal.

Como presidente da República, Michel Temer não podia simplesmente pressupor que o empresário estava blefando por ser um “falastrão”. No mínimo, teria que ter interrompido o diálogo logo ali, para não cometer o crime de prevaricação. Ter dito, ‘olha, o que o senhor tá dizendo é muito grave’. Ou algo assim. E no mesmo instante mandar investigar. Mas não houve nada disso. Um presidente da República não pode agir por suposições, por achismos.

Outro ponto quase não tocado tem relação à pessoa que indicou para tratar de assuntos da JBS – o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), classificado como “pessoa de confiança” nas gravações –, filmado recebendo dinheiro da JBS. Foi superficial. Também há as outras denúncias de doação de campanha, que não foram comentadas.

Enfim, ao presidente Michel Temer restava isso. Desqualificar o empresário Joesley Batista, “que está passeando em Nova York, enquanto o Brasil passa por problemas” e as gravações “manipuladas, feitas com objetivos subterrâneos” – “há mais de 50 edições”, disse, cintando a jornal Folha de S. Paulo”.

E denunciar práticas de crimes contra a economia, ao especular com a compra de dólares e no mercado de ações. Essas denúncias estão sendo apuradas e, caso comprovadas, podem levar à perda dos benefícios da delação premiada feita pelo empresário e seu irmão, Wesley.

Temer tentou capturar a indignação popular contra um corruptor confesso para conquistar o mínimo de apoio e, assim, continuar a governar o País. Resta saber se a indignação contra Joesley será maior e mais forte do que a impopularidade do presidente Michel Temer, que em um ano de gestão só fez crescer, chegando a 9% de aprovação. Isso sem as denúncias de Joesley. Do Blog da Folha

Blog do Marcos Almeida:  A Notícia em Movimento

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